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Hipnose, Singularidade e Dificuldades de Amamentação: um Estudo Clínico (parte III)

Atualizado: 6 de fev.

Maurício da Silva Neubern. Parte III

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TERCEIRO EIXO HIPNÓTICO – RESGATANDO A COMPETÊNCIA

O terceiro eixo hipnótico ocorreu na parte final da sessão e foi de grande importância, não só pelas redefinições que proporcionou, como também pela dinâmica da conversação. Maria Luíza alternou momentos de transe profundo e leve e, durante alguns momentos, demonstrou estar conversando de forma consciente, de olhos abertos, mas manifestando sinais típicos de transe (Erickson, 1952).

  • P – “E, nesse momento, talvez você possa se lembrar de sua infância. Eu fico me perguntando do que você gostava de fazer na infância… como eram suas brincadeiras, o que você fazia pra se divertir, quais eram seus programas … e como você sentia isso… porque a criança quando se diverte entra num mundo que é só dela, e surgem histórias, personagens, roteiros, seres … e de fora não podemos entender muito … mas ela sabe o que se passa … e os adultos podem até olhar, mas são elas que entendem daquilo …” ao pedir para relatar o que via, Maria Luíza respondeu – “Vejo a minha avó… estou na casa dela …” P – “você vê sua avó, está na casa dela … e como é isso pra você?” ML – “é muito bom. Eu adoro ir pra lá. Ela fica na cadeira de balanço e dorme. E eu fico brincando ao lado dela. Acho ótimo. Sei que ela está ali…” P – “E onde você sente isso no seu corpo? ” ML – “Aqui, na altura do peito, da barriga também. ” P– “Ok. Deixe essa energia aí, trabalhando em você, aproveite-a bem…”

  • Depois de algum tempo, Maria Luíza abriu os olhos, pondo-se a chorar. Dizia: “Isso tudo é muito difícil. Acho que não sou uma boa mãe…” P – “Ninguém está pronto pra ser pai ou mãe. Quem nos faz prontos pra isso são os filhos. E acho que você está aprendendo muito bem. ” ML – “Não, eu não sei cuidar de meu próprio filho. Ele chora e eu me irrito com isso… uma boa mãe não age assim. ” P – “Você se lembra de sua avó? Ela tinha um jeito diferente de cuidar, não? Não era de falar muito, mas estava ali do seu lado. E como isso era eficiente. Pra você funcionou muito bem, pois você sabia que podia contar com ela, que ela estava atenta a você. ” ML – “É mesmo … ela ficava ali e me passava muita segurança…” P – “O que ela diria pra você hoje? ” ML – “Não sei, mas se ela estivesse aqui, não me pressionaria. Só a presença dela me daria segurança. ” P – “Isso é muito bom. E sabe que você tem outra coisa importante. Você sabe olhar pro seu filho, sabe observá-lo sim. ” ML – “Como assim? ” P – “Foi você quem disse que descobriu que se começasse a dar banho pelos pés dele, ele não abria o berreiro e ficava tranquilo. Olha só como você pôde descobrir isso? Isso é coisa de boa mãe. Você está indo muito bem em seu aprendizado. Continue olhando pra ele e deixe os outros dizerem o que quiserem. Você vai filtrar isso. Olhe pra ele… E tem uma tarefinha de casa. Você aceita? ” ML – “Sim, o que é? ” P – “Pegue uma foto de sua avó e leve-a sempre em sua bolsa. Olhe pra ela todos os dias e sempre que você sentir necessidade. Acho que isso vai lhe ajudar muito. ”

  • Psicólogo (UnB/1995)

  • Mestre em Psicologia (1999/UnB)

  • Doutor em Psicologia (UnB/2003), com Estágio Sanduíche Université Paris VII (2001/2002-Capes).

  • Terapeuta –Terapia e Hipnose Ericksoniana (Instituto Milton Erickson de Paris, 2001/2002 e Instituto Milton Erickson de Belo Horizonte, 2005)

  • Master Certificate (Belo Horizonte e Milton Erickson Foundation, 2007)

  • Pós-Doutorado (Estágio Sênior): Centre Edgar Morin (CEM), École des Hautes Études em Sciences Sociales (EHESS), Capes 2015/2016.

  • Artigo de 2009.

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